Uma tarde burocrática

A idosa senhora chegou, de olhar passivamente teimoso. Sentou-se como se o tempo não mais contasse e esperou.

Era a quinta vez que ali vinha sem nada ser resolvido.

Quando finalmente foi atendida espalhou a papelada, fincou os cotovelos no alto balcão do Banco e declarou que não sairia sem estar o problema solucionado.

O relógio andava, os empregados conversavam e a velhinha sorria e esperava, engolindo a raiva.

O Banco já fechara, nem mais clientes havia. Por trás dos computadores ouviam-se os teclados e a rodagem das máquinas de contar dinheiro. O ar condicionado espalhou-se frio e silencioso pela enorme sala, apagando a lembrança do dia suado. Sem ruído, no placar iam caindo os minutos.

Alguém tossiu no andar de cima. E então rapidamente tudo foi fácil e, quase sem palavras, se fez a transação.

Destrancaram a porta para ela sair.

Cinco cabeças, dez olhos e um enorme silêncio seguiram a velha senhora que acenou suave e delicadamente prometendo voltar em breve...



CONTOS
Voltar